Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

EXPOSIÇÃO "MINA DE SÃO DOMINGOS"

Mina de São Domingos. Alentejo. Portugal. Fevereiro de 2008. O sol é abrasador. Levanta-se uma ligeira poeira, desinquietada pelos nossos passos que atravessam a árida paisagem mineira, de aspecto quase lunar, remetendo-nos a fantasia para o cenário apocalíptico dos filmes sobre desastres ecológicos.

Impressionados pelo silêncio deste lugar, onde a azáfama da indústria mineira dominou durante mais de um século, deixamo-nos embalar ao som da escória estaladiça que se desfaz debaixo dos nossos pés.
A vegetação, outrora eficazmente erradicada pela indústria mineira, renasce agora à beira do antigo caminho-de-ferro e nas colinas à sua volta, estendendo-se teimosa e lutadora ao longo das imensas áreas, campos e escombreiras interrompidas por lagoas de águas ácidas com cores saturadas.
Os ventos de sabor metalizado misturam-se, após uma chuva miudinha, com o perfume do eucalipto, da urze e da esteva em flor. Aqui e acolá deparamo-nos com montões de enxofre, onde pegadas de gado ficaram esculpidas pela humidade.
Éramos cerca de 30 pessoas, entre miúdos e graúdos, que chegámos ao nosso destino da Mina de São Domingos para três dias de fotografias, de tertúlias e convívio. Saímos de lá mais descontraídos e mais alegres. Mais sábios. Mais amigos. Com histórias para contar. Com fotografias para partilhar. Mas também mais vividos e mais humildes por termos ficado a conhecer o destino das pessoas que viviam em condições insalubres, que trabalhavam em condições dificílimas e inumanas e lutavam pela sobrevivência neste ponto do País, a seu tempo de grande importância económica nacional e internacional no ramo mineiro.
Deslumbra, enfeitiça e inspira este esplêndido recanto alentejano que aqui retratamos com carinho, à nossa maneira.
 
Texto de Maline Lofgren
 
 
Grupo de fotógrafos (falta o Lopo Faísca) que esteve na Mina de São Domingos. A Susana não fotografou, mas pintou um quadro que está na exposição, e que pode ser visto, juntamente com as fotografias, até ao dia 13 de Setembro, no Centro Cultural António Aleixo, Vila Real de Santo António.
 
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publicado por umquartoescuro às 15:40
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